É tarde de um dia morno. Meu coração palpita, ansiedade aperta, um dos tornozelos recupera-se da dor. Ligações "suspeitas" rondam a praça, sinto que o alento e o esplendor se revezam em um dia só. Um momento onde o coração apertado é a regra, as noites são uma briga com o travesseiro, as ansiedades da vida profissional e as aventuras do coração, tudo isso forma um caldeirão de sentimentos, absolutamente insuportável para os seres humanos normais. Preciso de ajuda, uma alma carente, ansiosa, temerosa, sentido-se esmagada pelas frustrações, e fustigadas pelas obrigações.
Volta os dias frios, a agonia de uma personalidade aflita se aflora, sinto limitado os meus caminhos, vivo em um mundo paralelo, onde primavera é inverno, verão é outono, outono é esquizofrenia e transtorno de múltiplas personalidades, e inverno é, metade verão, metade inverno. Vejo as belezas do meu bairro natal, belos restaurantes, mas sem dinheiro em caixa, sem eira nem beira, na banheira das oportunidades. O mundo gira, novas pessoas para conhecer, novos gostos a provar, novas experiências para a ter, mas a angústia da espera é um complicador desapiedado. Ansioso, semi-depressivo, aguardando o vir, o porvir, na ânsia de uma experiência profissional, os poucos semestres que me faltam a concluir, constituem um arame farpado que perpassa as minhas entranhas.
Para terminar este ensaio, existem muitas lindas e belas artistas, prestes a se conhecer, ora pelo tempo, ora pela oportunidade, ora pelos passos realizados. Mas uma coisa é certa, sem pagar o preço, sem lutar pelo que se deseja, sem méritos, contaminado pelo fisiologismo e pela ideologia de "compradres", os medíocres refestelam sob um suposto "manto social", constituído de psicopatas histriônicos, narcisistas auto-redimidos, intelectuais pérfidos e medianos, carentes afetivamente, de amor e de caráter, os "espertos", os malandros e as "vítimas da sociedade", uma visão reflexiva das suas ações, e de suas próprias mazelas, onde o bandido culpa a vítima, o padre culpa a sociedade; todos clamam por um salvador, em um mundo onde só para os justos há salvação.
Assim concluo o meu ensaio, Fernando.
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